terça-feira, 15 de março de 2016

Uma Incrível Revolução na Universidade


Foi uma revolução, uma incrível revolução. Antes, as aulas eram diferentes. A Universidade era diferente. Os alunos prestavam atenção ao que diziam os mestres. As aulas eram o ponto central da vida acadêmica. Nós, professores, éramos os donos de um saber diferente, raro, quase exclusivo. Mas, e agora, o que nos resta? Os alunos aprendem como querem e quando querem. Eles podem acessar os mesmos conteúdos que a gente. E é tudo tão rápido. Nosso trabalho ficou terrivelmente difícil. Sim, estamos falando de uma revolução. Uma incrível revolução! Depois da invenção da imprensa, a Universidade nunca mais foi a mesma. Maldito Gutemberg!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Rui Barbosa entre o Direito e a Matemática

Definitivamente, Direito e Matemática não são ciências afins. É muito raro encontrar entre juristas um bom matemático. Posso dizer que, nas minhas aulas, quando surge a necessidade de fazer uma conta, sempre fico decepcionado, comigo e com os alunos. Erramos sempre.

Para consolo geral, no entanto, vou contar uma historinha do Rui Barbosa, jurista dos maiores que o Brasil já teve. No precioso discurso que preparou para seus afilhados da Faculdade de Direito de São Paulo, publicado sob o título de Oração aos Moços, ele fez as seguintes considerações:

“Por derradeiro, amigos de minha alma, por derradeiro, a última, a melhor lição da minha experiência. De quanto no mundo tenho visto, o resumo se abrange nessas cinco palavras: Não há justiça, onde não haja Deus” (BARBOSA, P. 81).

Nesse caso, muito embora goste da ideia e aprecie o estilo, até eu consigo perceber que ele utilizou sete e não cinco palavras. Sim, amigos da minha alma, o nosso famoso colega cometeu um erro feio, básico, lamentável.

O editor do livro, em nota de rodapé, tentou a seguinte explicação:

“A propósito deste curioso engano, Rui havia escrito, realmente, cinco palavras: ´Não há justiça sem Deus`. Ao substituir a frase, esqueceu-lhe recontar as palavras, já agora em número de sete”.

Bondoso editor! Pois eu prefiro pensar que o Rui não suportava as aulas de matemática.


REFERÊNCIA

BARBOSA, Rui. Oração aos Moços. Rio de Janeiro: Ediouro [s.d.]. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Era Uma Vez Um Professor

Era uma vez um professor que vivia triste, angustiado e indeciso. Seus interesses eram tão variados que ele simplesmente não sabia o que fazer. Entre outras coisas, gostava de história, teologia, filosofia, literatura, educação, política, direito e futebol. Mas não se podia dizer que era bom em qualquer desses campos. Aos 40 anos, não era especialista em coisa alguma.

Foi exatamente nessa altura que ele teve uma ideia, na verdade, uma revelação. Se não lhe parecia possível viver tantas vocações, que problema haveria nisso! Ele de fato não o poderia. Mas quantos alunos iria acompanhar ao longo da carreira? De quantas vocações diferentes iria participar? E de que modo exerceria sua vocação mais profunda, a de professor, senão contribuindo para o crescimento dos alunos? E o que deveria ser, afinal, um professor senão alguém que sugere caminhos, aponta perigos, comemora as vitórias e ajuda a entender as derrotas?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Ziraldo e a Faculdade de Direito


O Ziraldo estudou na Faculdade de Direito da UFMG. Na verdade, o Ziraldo concluiu o curso de Direito. Outros começaram e abandonaram. Mas ele foi até o fim. E isso não é pouca coisa. Em geral, os artistas não costumam se dar bem com a aridez de certos ambientes.

Não tenho certeza, mas acho que posso explicar o fenômeno. Enquanto ouvia as longas e chatíssimas explicações sobre títulos de crédito e coisas do gênero, Ziraldo desenhava. Os professores o tinham em alta conta. Pensavam nele como um aluno bem comportado, que não conversava e tomava nota de tudo. Mas, na verdade, Ziraldo apenas desenhava.